Alguns projectos que temos vindo a realizar nos últimos anos

 

projecto REDE GEO ESCOLAS “quem suporta a tua escola?”

  • Pretende-se criar uma rede de Geo-Escolas, relançando a atividade pedagógica “Rocha da Região” do Programa Rocha Amiga criada pelo Professor Mario Cachão da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Inicialmente proposto no âmbito das celebrações do Ano Internacional do Planeta Terra (AIPT-UNESCO) 2008, o Programa Rocha Amiga tem por alvo preferencial escolas do Ensino Secundário de Portugal Continental e Ilhas e visa:

    • despertar professores e alunos para a sua envolvente geológica;

    • criar uma atividade que permita obter coleções de rochas portuguesas;

    • enriquecer pedagógica e cientificamente as coleções didáticas das Escolas, por relatórios de enquadramento geológico e ambiental disponíveis online sobre as rochas adotadas e adquiridas.

    São frequentes os pedidos que chegam à Faculdade de professores do Ensino Básico e Secundário para lhes providenciar materiais pedagógicos. Continua, portanto, a existir um número significativo de Escolas por todo o País que, ou não possuem uma colecção de rochas adequada ao ensino de Geologia ou, as que possuem, não abrangem todas as áreas temáticas definidas pelos respetivos programas curriculares.

    Acresce que as coleções de rochas que existem nas escolas muitas não estão classificadas ou não apresentam qualquer indicação de proveniência, pelo que o seu valor pedagógico é reduzido, acabando por não ser utilizados ou apenas pontualmente em exercícios de identificação expedita, sem integração no seu contexto geológico e sem delas extrair todo o seu potencial de informação.

    Por seu lado, muitas das “coleções didáticas” disponíveis no mercado para aquisição pelas escolas (muitas vezes adquiridas pelos próprios professores) correspondem a amostras de diminutas dimensões de difícil observação e baixo valor pedagógico, não fazendo juros à designação comum de “amostra de mão”, mas mais “amostra de polegar”.

    A Rocha Amiga e a Geo Logica desejam ajudar a mudar esta realidade, criando uma rede de Geo-Escolas com o intuito de:

    • Conhecer a realidade geológica onde a Escola se insere;

    • Criar ou melhorar a coleção didática de rochas em amostra de mão da Escola, através da permuta de exemplares entre Escolas. Tal permitirá equipá-las com coleções básicas de rochas constituídas por exemplares da Geologia de Portugal, devidamente enquadradas, quer geográfica, quer geologicamente.

    Esta iniciativa tem como objectivo sensibilizar alunos e professores e restante comunidade escolar para o papel das Geociências na sociedade moderna, para a omnipresença e importância das rochas no dia-a-dia do cidadão, dando apoio e providenciando os materiais essenciais para a sua vida e bem-estar, desde abrigo, água, substrato para o desenvolvimento de plantas e animais, aplicações industriais e tecnológicas promovendo o desenvolvimento sustentado das populações.

(Para mais detalhes clique aqui)

A HISTÓRIA E A GEO-HISTÓRIA DA ANTIGA INDÚSTRIA TRADICIONAL Da CAL DA REGIÃO DE GÂNDARA, PORTUGAL

Antigo Forno de Cal, Zambujeiro, Arazede, Portugal

Antigo Forno de Cal, Zambujeiro, Arazede, Portugal

  • A cal é um óxido de cálcio feito a partir de calcário, frequentemente usado como material de construção, naturalmente eficiente para usar como cimento. É também usado como pigmento para pintar casas, ajustar a acidez de solos e agente químico no tratamento de água.

    Na Região da Gândara, sobretudo entre Coimbra e Montemor-o-Velho (Centro de Portugal), muitas famílias foram criadas, sustentadas e educadas por causa do trabalho árduo da extração e produção de cal.

    Normalmente conhecidas por “Pedra de Ançã”, as rochas que afloram entre Póvoa da Lomba, Andorinha, Zambujal, Fornos e Ançã têm sido utilizadas desde a antiguidade para talhar, esculpir e ornamentar castelos, palácios, mosteiros, igrejas e casas por todo o território português, e até Espanha. No entanto, no final da Segunda Guerra Mundial a procura pela cal era imensa, o que levou ao desenvolvimento de muitos fornos, normalmente pertencentes a famílias da região.

    A Geo Logica está a estudar as características dos sedimentos marinhos do Jurássico Médio, depositados aproximadamente entre 170 e 160 Milhões de anos atrás, onde no passado existiu um mar raso, quente e tropical, para perceber porque razão estas rochas calcárias fizeram da região da Gândara o principal centro de produção de cal em Portugal.

(Trabalho em desenvolvimento)


Amostragem para datação de carbonatos do devónico, VEndas NOvas, Portugal, 2017-2021

  • A contribuição da Geo Logica, neste projecto, centrou-se em possibilitar o acesso às unidades expostas na face rochosa de uma antiga pedreira, conhecida como Pedreira da Engenharia, e realizar a amostragem detalhada destas. À data, esta sequência aflorante, parte da Bacia do Paleozóico Superior de Cabrela (zona ocidental da Ossa-Morena), estava sub-amostrada. O único estudo aqui realizado datava de 1972, o qual apenas amostrava a base da pedreira. Por essa razão, o nosso trabalho passou por tornar possível o acesso à face da pedreira, utilizando técnicas de trabalhos verticais, para selecção vertical, colecta e catalogação de amostras de rochas, para posterior transporte para laboratório.

    Após análise laboratorial, os bioestratígrafos encontraram fósseis (espécimes de conodontes) nas amostras recolhidas. Estes fósseis permitiram datar estas unidades com 390 Milhões de anos e definir, com maior precisão, estratigraficamente a sequência calciturbidítica estudada, reconhecendo duas zonas que confirmaram a idade Eifeliana inferior a média (Devónico) deste afloramento.

Ligações relacionadas: www.researchgate.net


Tectónica de sal na bacia Lusitaniana revisitada 2017-2020

  • Os grandes diapíros de sal aflorantes ou “Les Aires Diapiriques ou Aires Typhoniques” foram descritos pela primeira vez, nesta bacia, em 1880 por Choffat, particularmente na região das Caldas da Rainha. Desde então vários autores trabalharam e propuseram diferentes mecanismos e explicações para as sequências halocinéticas aflorantes, expostas nesta parte do Centro de Portugal.

    Após extensa pesquisa bibliográfica e estudo de afloramentos, decidimos que era tempo de rever e actualizar o conhecimento sobre tectónica salina da bacia Lusitaniana, à luz dos conceitos modernos e dos desenvolvimentos recentes desta temática tão peculiar das geociências.

    Autores anteriores sugeriram que a principal fase do diapirismo salino na Bacia Lusitaniana ocorreu durante a orogenia alpina. No entanto, através de evidências sísmicas e de afloramento onshore, mostrámos que o diapirismo onshore começou no início do Jurássico, logo após da deposição de sal. Dai resultaram grandes paredes de sal, com orientações N a NNE, desenvolvidas ao longo das principais falhas de rift. As paredes da sal, rodeadas por 1-2 km de carbonatos jurássicos, actuaram como uma viga, inibindo o desenvolvimento de sinclinais de bordo. Consequentemente, o sal foi retirado uniformemente de grandes áreas para os diapíros, deixando algumas relíquias de almofadas de sal entre os diapíros, evidenciando a sobreposição dos carbonatos jurássicos nos flancos.

    Sugerimos também, que a compressão desde o Cretácico Superior até hoje (Alpina) produziu compressão do sal, promovendo o desenvolvimento de diapíros individuais, elevando as paredes de sal e, muitas vezes, perfurando até superfície. Essa compressão causou amplas zonas de basculamento na ordem de 1 km, nas unidades nos flancos dos diapíros de sal, formando grandes armadilhas propicias à acumulação de hidrocarbonetos. O diapíro de São Pedro de Moel é um excelente exemplo deste tipo de armadilha. O diapíro de São Pedro de Moel aprisionou um grande campo de petróleo em arenitos basculados e selados contra uma parede de sal sub-vertical.

    Descobrimos e demonstrámos que a mina de betume de Azeche e os afloramentos da praia de Paredes de Vitória (adjacentes ao diapíro de São Pedro de Moel), anteriormente descritos como uma exsurgência de petróleo, é de facto parte de um antigo campo petrolífero exumado e não apenas uma “seeps”. Tal foi demonstrado pelo facto dos arenitos preenchidos com óleo estarem completamente saturados e a, pelo menos, 400 m de distância do contacto do diapíro.

    Enquanto pesquisávamos para este artigo, acabamos por descobrir uma outra acumulação natural de hidrocarbonetos em Santa Cruz. Descobrimos ainda um novo tipo de discordância geológica halocinética para a qual sugerimos um novo termo: inconformidade do tipo ‘flap-onlap'.

    Descobre mais sobre este projecto no curso de Geoformação “Tectónica de sal e sequências halocinéticas na parte terrestre da Bacia Lusitaniana”

Ligações relacionadas: www.researchgate.net


Saída de campo do encontro anual do Geological Remote Sensing GRoup, 2017

  • A saída de campo “Do rifting Atlântico e intrusões ígneas à inversão Alpina” contou com, aproximadamente, 30 participantes que abordaram as implicações das seguintes temáticas, na interpretação de dados de detecção remota:

    • Das Bahamas portuguesas do Cretácico, à abertura do Atlântico Central: observação de recifes do Barremiano com rudistas até à sequência de break-up do Aptiano superior.

    • Granitos e metamorfismo de contacto no ponto mais ocidental da Europa continental.

    • Intrusões ígneas e efeito tectónico em bacias sedimentares circundantes.

    • Pegadas de dinossauros em sequências marinhas pouco profundas do Cretácico inferior.

    • Tectónica da inversão alpina: dobramento por propagação de falha em margas do Albiano Superior ao Cenomaniano.

Ligações relacionadas: www.grsg.org.uk